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Bisnau Ecoturismo
A sede da fazenda, com um ipê-amarelo florido ao fundo

Foto: acervo da família Thomé

História e ciência

História e ciência do Bisnau

Uma fazenda de família preservada desde 1942, com gravuras de milhares de anos, um muro de pedra feito à mão e 136 espécies de aves.

A história de uma família, de um lajedo gravado na pedra e de mais de 50 anos de pesquisa.

Aqui ficam a família, o nome Bisnau, a linha do tempo, a Picada do Sal e a Muralha. O Sítio Arqueológico, as pesquisas e as gravuras e o céu têm páginas próprias, logo abaixo.

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Para conhecer de perto

A família

O Bisnau é cuidado pela mesma família desde 1942. O pai, José Ávila Thomé, era de Cordeiro (RJ) e funcionário do Banco do Brasil. Comprou a terra também por causa das gravuras na pedra e cercou o lajedo para o gado não entrar. Segundo a família, foi ele quem trouxe para Formosa o primeiro trator importado da Alemanha e o primeiro gado Nelore do município.

José Ávila Thomé e a esposa no dia do casamento
José Ávila Thomé e a esposa no dia do casamento. Foto: acervo da família Thomé, com restauração digital.
José Ávila Thomé, a esposa e os filhos, numa foto antiga do acervo da família
O casal com os filhos, numa foto antiga guardada pela família. Foto: acervo da família Thomé, com restauração digital.

Hoje a fazenda é cuidada pelos filhos. O Gil, que mais viveu aqui, dá nome à Cabana do Gil, o ponto de apoio ao turista da Rota das Águas. Roberto Pires Thomé foi advogado do Banco do Brasil e, por 33 anos, vinha nos fins de semana ajudar o pai e os irmãos. Em 2015, a família abriu as porteiras para a visitação.

A família também cria abelhas. Os apiários ficam espalhados pela fazenda, longe das trilhas e dos atrativos, e as abelhas ajudam a polinizar o Cerrado que a família preserva há mais de 80 anos.

Por que nós vamos esconder isso aqui do mundo? Nós temos que mostrar para o mundo.

Roberto Pires Thoméda família que cuida do Bisnau

O nome Bisnau

Segundo a família, bis quer dizer dois, e nau lembra água e navegação. O nome viria do encontro de dois rios: o Bisnau, que nasce na serra do Povoado Barreiros, e o Bisnauzinho, que nasce dentro da fazenda e forma as cachoeiras.

Em resumo

A linha do tempo

Seis marcos da história do Bisnau, cada um com o seu selo e a fonte.

A linha do tempo completa

  1. 1942Relato

    José Ávila Thomé compra a fazenda, também por causa das gravuras, e cerca o lajedo para o gado não entrar.

    Fonte: a família Thomé

  2. 1972Relato

    Ele anota à mão os 100 bichos que via na fazenda, numa lista que a família guarda até hoje.

    Fonte: lista de 22/02/1972, acervo da família

  3. 1975Fato

    O sítio entra no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do IPHAN.

    Fonte: ficha do CNSA, código GO00327

  4. 2015Fato

    A família abre as porteiras para a visitação.

    Fonte: a família Thomé

  5. 2017Fato

    A UnB mapeia o lajedo por drone e o IFG começa a estudar o sítio e a contar as aves.

    Fontes: Cunha, UnB (2018); IFG Campus Formosa; Cruz e Darosci (2019)

  6. 2019Fato

    Saem dois artigos: um sobre as gravuras e o céu, outro sobre as 136 espécies de aves.

    Fontes: Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ; Atualidades Ornitológicas

A Picada do Sal e a Muralha

Segundo a família, 2 km do caminho até o sítio são parte da antiga estrada real, a Picada do Sal, do tempo do Brasil colônia. Historiadores descrevem a Estrada Colonial do Planalto Central, aberta nos anos 1730 entre Salvador e o Mato Grosso, também chamada de Estrada do Sal. Que o trecho do Bisnau faça parte dela é uma hipótese, que ainda pede a confirmação de um historiador.

A Muralha de Pedra do Betinho: um mistério de pedra

A Muralha é um muro feito à mão, pedra sobre pedra, sem argamassa, no estilo caixote: 2 metros de altura, 1 metro de largura e 3,3 km de extensão. É uma técnica do tempo em que ainda não existia arame farpado, e servia para dividir terras e conter o gado. O que ninguém sabe com certeza é quem a construiu e quando.

As versões que se contam

  • Fugitivos do domínio português. Era a versão dos primeiros folders do Bisnau: o muro teria sido erguido por pessoas que fugiam do controle da Coroa. Não encontramos nenhum documento que confirme essa história.
  • Pessoas escravizadas. É a versão do folder mais novo, e a que mais combina com a história da região: na região, muros de pedra de divisa eram erguidos, na maior parte, por mão de obra escravizada, e às vezes também por trabalhadores livres pagos por braça de muro. Mas, para a Muralha do Betinho, também não há documento.
  • Um muro que corta a região. O Memorial da Cultura Cerratense descreve um muro de pedra de cerca de 1 metro de altura que atravessa a região do Bisnau rumo a Buritis (MG), feito para dividir as fazendas coloniais e impedir a passagem do gado. Não se sabe se é o mesmo muro ou outro trecho.

O que ainda está em aberto

A Muralha é bem maior que os muros de divisa comuns, que costumam ter perto de 1 metro de altura e 30 a 40 centímetros de largura, e por isso chama a atenção de quem estuda o assunto. Sem pesquisa, não dá para dizer quando ela foi feita. O nome vem do Betinho, o irmão primogênito da família Thomé. Até que um documento responda, a Muralha segue como um dos mistérios do Bisnau, e quem caminha ao lado dela pode tirar as próprias conclusões.

Pesquisa a história do Planalto Central? A família gostaria de ver a Muralha estudada: fale com a gente pelo WhatsApp.

A natureza

A maior parte da fazenda é vegetação nativa de Cerrado: mata densa na Trilha da Onça, mata ao longo do rio, cerrado aberto e paredões de quartzo no Poço Cânion. As aves, a lista de 1972, a pedra e a água estão em A natureza do Bisnau.

Fontes

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