A história de uma família, de um lajedo gravado na pedra e de mais de 50 anos de pesquisa.
Aqui ficam a família, o nome Bisnau, a linha do tempo, a Picada do Sal e a Muralha. O Sítio Arqueológico, as pesquisas e as gravuras e o céu têm páginas próprias, logo abaixo.
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Para conhecer de perto

Sítio Arqueológico
Gravuras de milhares de anos num lajedo de arenito, registradas no IPHAN desde 1975.Ver sítio arqueológico
Pesquisas no Bisnau
Os estudos publicados sobre o Bisnau que conhecemos, dos anos 1970 até hoje, com link.Ver pesquisas no bisnau
As gravuras e o céu
O que os estudos da UnB propõem sobre o alinhamento das gravuras com o céu. Hipótese científica.Ver as gravuras e o céu
Linha do tempo
Das gravuras de milhares de anos ao site novo, marco a marco, com a fonte de cada um.Ver linha do tempo
O Bisnau na mídia
Da revista Manchete, em 1975, à televisão e ao YouTube.Ver o bisnau na mídia
Bisnau em números
Os números do Bisnau numa tabela só, cada um com a sua fonte.Ver bisnau em números
A família
O Bisnau é cuidado pela mesma família desde 1942. O pai, José Ávila Thomé, era de Cordeiro (RJ) e funcionário do Banco do Brasil. Comprou a terra também por causa das gravuras na pedra e cercou o lajedo para o gado não entrar. Segundo a família, foi ele quem trouxe para Formosa o primeiro trator importado da Alemanha e o primeiro gado Nelore do município.


Hoje a fazenda é cuidada pelos filhos. O Gil, que mais viveu aqui, dá nome à Cabana do Gil, o ponto de apoio ao turista da Rota das Águas. Roberto Pires Thomé foi advogado do Banco do Brasil e, por 33 anos, vinha nos fins de semana ajudar o pai e os irmãos. Em 2015, a família abriu as porteiras para a visitação.
A família também cria abelhas. Os apiários ficam espalhados pela fazenda, longe das trilhas e dos atrativos, e as abelhas ajudam a polinizar o Cerrado que a família preserva há mais de 80 anos.
Por que nós vamos esconder isso aqui do mundo? Nós temos que mostrar para o mundo.
O nome Bisnau
Segundo a família, bis quer dizer dois, e nau lembra água e navegação. O nome viria do encontro de dois rios: o Bisnau, que nasce na serra do Povoado Barreiros, e o Bisnauzinho, que nasce dentro da fazenda e forma as cachoeiras.
Em resumo
A linha do tempo
Seis marcos da história do Bisnau, cada um com o seu selo e a fonte.
1942Relato
José Ávila Thomé compra a fazenda, também por causa das gravuras, e cerca o lajedo para o gado não entrar.
Fonte: a família Thomé
1972Relato
Ele anota à mão os 100 bichos que via na fazenda, numa lista que a família guarda até hoje.
Fonte: lista de 22/02/1972, acervo da família
1975Fato
O sítio entra no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do IPHAN.
Fonte: ficha do CNSA, código GO00327
2015Fato
A família abre as porteiras para a visitação.
Fonte: a família Thomé
2017Fato
A UnB mapeia o lajedo por drone e o IFG começa a estudar o sítio e a contar as aves.
Fontes: Cunha, UnB (2018); IFG Campus Formosa; Cruz e Darosci (2019)
2019Fato
Saem dois artigos: um sobre as gravuras e o céu, outro sobre as 136 espécies de aves.
Fontes: Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ; Atualidades Ornitológicas
A Picada do Sal e a Muralha
Segundo a família, 2 km do caminho até o sítio são parte da antiga estrada real, a Picada do Sal, do tempo do Brasil colônia. Historiadores descrevem a Estrada Colonial do Planalto Central, aberta nos anos 1730 entre Salvador e o Mato Grosso, também chamada de Estrada do Sal. Que o trecho do Bisnau faça parte dela é uma hipótese, que ainda pede a confirmação de um historiador.
A Muralha de Pedra do Betinho: um mistério de pedra
A Muralha é um muro feito à mão, pedra sobre pedra, sem argamassa, no estilo caixote: 2 metros de altura, 1 metro de largura e 3,3 km de extensão. É uma técnica do tempo em que ainda não existia arame farpado, e servia para dividir terras e conter o gado. O que ninguém sabe com certeza é quem a construiu e quando.
As versões que se contam
- Fugitivos do domínio português. Era a versão dos primeiros folders do Bisnau: o muro teria sido erguido por pessoas que fugiam do controle da Coroa. Não encontramos nenhum documento que confirme essa história.
- Pessoas escravizadas. É a versão do folder mais novo, e a que mais combina com a história da região: na região, muros de pedra de divisa eram erguidos, na maior parte, por mão de obra escravizada, e às vezes também por trabalhadores livres pagos por braça de muro. Mas, para a Muralha do Betinho, também não há documento.
- Um muro que corta a região. O Memorial da Cultura Cerratense descreve um muro de pedra de cerca de 1 metro de altura que atravessa a região do Bisnau rumo a Buritis (MG), feito para dividir as fazendas coloniais e impedir a passagem do gado. Não se sabe se é o mesmo muro ou outro trecho.
O que ainda está em aberto
A Muralha é bem maior que os muros de divisa comuns, que costumam ter perto de 1 metro de altura e 30 a 40 centímetros de largura, e por isso chama a atenção de quem estuda o assunto. Sem pesquisa, não dá para dizer quando ela foi feita. O nome vem do Betinho, o irmão primogênito da família Thomé. Até que um documento responda, a Muralha segue como um dos mistérios do Bisnau, e quem caminha ao lado dela pode tirar as próprias conclusões.
Pesquisa a história do Planalto Central? A família gostaria de ver a Muralha estudada: fale com a gente pelo WhatsApp.
A natureza
A maior parte da fazenda é vegetação nativa de Cerrado: mata densa na Trilha da Onça, mata ao longo do rio, cerrado aberto e paredões de quartzo no Poço Cânion. As aves, a lista de 1972, a pedra e a água estão em A natureza do Bisnau.
Fontes
- IPHAN, Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos, código GO00327 (sigla GO-PA-001)
- Museu do Cerrado, Sítio Arqueológico Bisnau
- IFG Campus Formosa, livro Iconografia das Tradições (2024)
- Almeida, dissertação de mestrado em Turismo, UnB (2015)
- Cunha, Bias e Brites (UnB), artigo no Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ (2019)
- Cunha, dissertação de mestrado em Geociências Aplicadas, UnB (2018)
- Cruz e Darosci, estudo da avifauna do Bisnau, IFG (2019)
- Museu do Cerrado no Google Arts & Culture (em inglês)
- Relatos da família Thomé


